quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

À Deus sou grato por tudo que sou.

O que sou alem de um breve sopro de vida?
O que tenho alem daquilo que me foi dado?
Reconheço que se tenho foi porque me foi dado, se sou foi porque fui criado e que não sou capaz de criar, mas transformo algo já existente.
Olhando minha própria vida não consigo compreender porque justo eu sou e tenho tanto.
Não entendo a lógica divina em me dar tantas oportunidades e privilégios.
Nunca consegui compreender a razão do porque me sinto confortado e ouvido quando oro por meus problemas sabendo que não são nada perto do resto do mundo.
Eu sei que não sou merecedor e não entendo porque me é dado essa vida.
É obvio que sou grato por tudo isso, porém não significa que não me questione o porquê de tudo isso?
Não entro na questão de mérito, pois sei que nada fiz para merecer tanto e que muitos também não fizeram nada para merecer tão pouco.
Cada vez mais fico inclinado a não buscar a razão nessa discrepância.
Atualmente o que me parece ser mais justo é apenas ser grato e administrar o que ganho afim de que outros não tenham também possam receber.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Deus e Eu

Eu tenho crises de fé. Na verdade são apenas perguntas que não encontrei respostas que me fossem satisfatórias. Já ficou óbvio para mim que aquilo em que acredito ser Deus influencia diretamente o meu agir e viver. Pensar sobre Deus então virou uma necessidade que abre a minha mente e renova o meu viver.

Eu tento de toda forma encontrar algum sentido no que é Deus. Confesso que até encontro depois de muito tempo pensando. Porém, sei que é uma causa perdida, Deus não pode ser definido, pois não é possível por em palavras algo ilimitado como Ele. A única conclusão que tenho é que quando penso sobre Deus e tento saber quem Ele é, estou na verdade é tentando dar sentido a minha própria vida.

 
  

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Apostando na vida

Caso a vida fosse um empresa na bolsa de valores, eu jamais investiria nela. As chances de se ter um retorno lucrativo são mínimas.

A vida no planeta Terra tinha tudo pra dar errado, sabe Deus como isso deu certo. Ela é quase que auto-regulável e é perfeita, mas ao mesmo tempo é muito frágil e muito delicada. Qualquer coisa que altere esse equilíbrio santo pode acabar com tudo.Não, jamais apostaria na vida na Terra.

A vida humana então, Deus me livre! Essa eu garanto que as chances de lucro são insignificantes. Imagina você apostar que vai nascer fisicamente perfeito, basta estudar um pouco de biologia para saber como o nascimento é um milagre, ainda mais somar a essa aposta uma boa família, educação, saúde, um bom emprego, um bom casamento e filhos. É quase certo sair perdendo.

Piorando ainda mais a situação, é quando a vida chega ao fim. E ai para onde eu vou? Existe céu e inferno? Existe Deus? E o coitado do diabo? Pior ainda é imaginar que tudo que o "pastor" falou todos os benditos domingos estava errado, e que todo mundo vai pro céu de qualquer jeito. Ai é muita injustiça, se matar a vida toda para no final acabar como todo mundo? Ou seja, eu que investi tanto vou ganhar a mesma coisa de quem não investiu?

Vendo a história vemos exemplos do próprio Jesus, Gandhi, Madre Thereza, Paulo Freire que mudaram o mundo ou mesmo pedaços do mundo. Ai com toda a certeza eu apostaria na vida deles. Engraçado é saber que eles mesmo não fizeram isso, e apostaram tudo nos outros.

domingo, 14 de setembro de 2008

Nesse mundo.

Nesse mundo onde tudo parece estar errado, eu até que estou gostando de viver.

Nesse mundo venho amando e sendo amado.

Nesse mundo não estou sozinho e dois sempre é melhor do que um.

Nesse mundo sou apenas mais um imerso em uma mulitdão de iguais.

Nesse mundo as utopias nos enchem de esperança e também de frustrações.

Nesse mundo existe a chance de lutar pelo que é justo.

Nesse mundo ainda lutam por justiça.

Nesse mundo as chances de mudar e criar algo melhor parece impossível, mas são reais.

Nesse mundo venho descobrindo motivos para viver em suas imperfeições.

Nesse mundo de imprevisões venho apostando no futuro.

Nesse mundo ainda gosto de viver, pois a esperançauem ainda reina soberana.




domingo, 25 de maio de 2008

Dalai Lama

“Seria compreensível que eu ao menos defendesse uma abordagem religiosa em relação aos fundamentos da prática da ética. É inegável que todas as grandes tradições de fé têm um sistema ético bem desenvolvido. Todavia, a dificuldade em vincular nossa noção de certo e errado à religião é o que em seguida precisamos perguntar: “Que religião? Qual delas apresenta o sistema acessível mais aceitável? Os argumentos seriam infidáveis. E mais podemos ignorar o fato de muitas pessoas rejeitarem a religião baseadas em convicções sinceras e não por simplesmente negligenciarem as questões mais profundas da existência humana. Não podemos presumir que tais pessoas não têm noção do que é certo ou errado, ou daquilo que é moralmente correto, só porque algumas das que são contra a religião possuem atitudes imorais. Alem disso crença religiosa não é garantia de integridade moral. Examinando a história da nossa espécie, vemos que os maiores responsáveis por conflitos - os que infligiram violência, brutalidade e destruição a seus semelhantes - havia muitos que professavam uma fé religiosa, muitas vezes em alto e bom som. A religião pode ajudar-nos a estabelecer princípios éticos básicos. Contudo, pode-se falar de ética e moralidade sem ter de recorrer à religião”

(Uma ética para o novo milênio, 2000. Editora Sextante)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Uma crise de fé minha

Cansei...

Li nesse ultimo mês o livro “Cidade do sol” do escritor afegão Khaled Hossein. Lindo o livro, ele narra a história de duas mulheres islâmicas dentro de um contexto religioso e social do Afeganistão no final do ultimo século. Em resumo as mulheres sofrem muito, são brutalmente espancadas por um marido que de acordo com sua religião possui o aval de Deus para isso, seus sonhos e desejos são arrancados e forçadas a viver com a esperança de quem sabe apenas sobreviver mais um dia. A miséria e o sofrimento assustam no livro, porem existem momentos marcantes dentro dessa história onde o amor e a compaixão embaçam todo ambiente de violência e falta de esperança em que essas duas mulheres sobrevivem.
Este livro me trouxe dois questionamentos. A primeira seria que Deus na sua bondade e misericórdia não seria capaz de amá-las profundamente, neste caso mesmo sendo islâmicas? Será que o amor do meu Deus apenas se limita aos “cristãos”?

O outro questionamento veio a partir das semelhanças dos contextos sócio-politcos dos miseráveis no Afeganistão em guerra e as favelas e morros do atual Brasil. Logo passei a me perguntar em o que mais importa para Deus, o culto de domingo ou a minha compaixão se transformando em atitude em prol destes que necessitam de uma gota de amor e esperança? Vale a pena eu cantar, tocar, dançar e falar do evangelho daquele Deus seu filho por amor a mim se não faço mais nada alem disso? Não me parece inútil discutir religião, ou mesmo o que pode ou não pode no culto ou na igreja enquanto existem pessoas morrendo por motivos que podíamos evitar? Não pregamos o amor ao próximo assim como Jesus nos amou, ao ponto de dar a sua vida por nós? Não seria agora a nossa vez de dar a nossas vidas por alguém (digo alguém de carne osso, criatura feita e amada por Deus assim como nós vulgos cristãos)?

Não quero contar o fim do livro, mas não posso deixar de comentar a gigantesca prova de amor que um dos personagens faz, e não são cristãos! Sinceramente, sorte que “desconfio” que Deus não se apega ao dizem que Ele é e faz. E se a história do livro for real e os personagens existiram mesmo, se Deus não as amou profundamente e elas não foram reais instrumentos dEle nesse mundo, se por serem mulçumanas não foram amadas por Deus e condenadas ao inferno, nesse caso eu prefiro ir ao inferno também.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Compromisso

"A primeira condição para que um ser possa assumir um ato de comprometido estar em ser capaz de agir e refletir.
É preciso que seja capaz de, estando no mundo, saber-se nele. Saber que, se a forma pela qual esta no mundo condiciona a sua consciência deste estar, é capaz sem duvida, de ter consciência desta consciência condicionada. Quer dizer, é capaz de intencionar sua consciência para a própria forma de estar sendo, que condiciona sua consciência de estar.
Se a possibilidade de reflexão sobre si, sobre seu estar no mundo, associada indissoluvelmente à sua ação sobre o mundo, não existe no ser, seu estar no mundo se reduz a um não poder transpor os limites que lhe são impostos pelo próprio mundo, do que resulta este ser não é capaz de compromisso."

Paulo Freire, 1979. Educação e mudança. Editora: Paz e Terra pág. 16.