Cansei...
Li nesse ultimo mês o livro “Cidade do sol” do escritor afegão Khaled Hossein. Lindo o livro, ele narra a história de duas mulheres islâmicas dentro de um contexto religioso e social do Afeganistão no final do ultimo século. Em resumo as mulheres sofrem muito, são brutalmente espancadas por um marido que de acordo com sua religião possui o aval de Deus para isso, seus sonhos e desejos são arrancados e forçadas a viver com a esperança de quem sabe apenas sobreviver mais um dia. A miséria e o sofrimento assustam no livro, porem existem momentos marcantes dentro dessa história onde o amor e a compaixão embaçam todo ambiente de violência e falta de esperança em que essas duas mulheres sobrevivem.
Este livro me trouxe dois questionamentos. A primeira seria que Deus na sua bondade e misericórdia não seria capaz de amá-las profundamente, neste caso mesmo sendo islâmicas? Será que o amor do meu Deus apenas se limita aos “cristãos”?
O outro questionamento veio a partir das semelhanças dos contextos sócio-politcos dos miseráveis no Afeganistão em guerra e as favelas e morros do atual Brasil. Logo passei a me perguntar em o que mais importa para Deus, o culto de domingo ou a minha compaixão se transformando em atitude em prol destes que necessitam de uma gota de amor e esperança? Vale a pena eu cantar, tocar, dançar e falar do evangelho daquele Deus seu filho por amor a mim se não faço mais nada alem disso? Não me parece inútil discutir religião, ou mesmo o que pode ou não pode no culto ou na igreja enquanto existem pessoas morrendo por motivos que podíamos evitar? Não pregamos o amor ao próximo assim como Jesus nos amou, ao ponto de dar a sua vida por nós? Não seria agora a nossa vez de dar a nossas vidas por alguém (digo alguém de carne osso, criatura feita e amada por Deus assim como nós vulgos cristãos)?
Não quero contar o fim do livro, mas não posso deixar de comentar a gigantesca prova de amor que um dos personagens faz, e não são cristãos! Sinceramente, sorte que “desconfio” que Deus não se apega ao dizem que Ele é e faz. E se a história do livro for real e os personagens existiram mesmo, se Deus não as amou profundamente e elas não foram reais instrumentos dEle nesse mundo, se por serem mulçumanas não foram amadas por Deus e condenadas ao inferno, nesse caso eu prefiro ir ao inferno também.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
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